é aqui que aluga carro? É sim... eu quero um.
O ar condicionado foi a primeira coisa estranha. Sentiu-se subitamente lançado em um mundo de possibilidades. Lembrou o calor do concreto ao sol, a preguiça do meio-dia, o suor pingado nos tijolos. Percebeu que ali era um mundo diferente. O atendente veio de terno. Pois não senhor? Que veículo deseja? Disse que qualquer um. Trás o catálogo... mostraram os modelos. Maquinas de sonhos. Pedro se viu neles. A estrada do seu destino seria cercada de girassóis, e uma casa de janelas gigantes haveria nela. E nessa casa Pedro e Maria seriam felizes. Não teria mais trabalho, nem cansaço, nem mesmo calor.
Passaram para o departamento de locação. Carteira de motorista, senhor? Não tenho isso. Não pode alugar sem ter uma. Correu à rua, caído do sonho. O Tobias tinha carteira, fora caminhoneiro no Piauí. Não posso te emprestar a carteira, homem. Tá louco de vez? Contou-lhe a história o melhor que pode. Tobias se comoveu. Tinha bom coração. Depois do trabalho eu vou lá com a carteira, pode deixar que dirijo.
Trato feito, voltaram à locadora na hora marcada. Fizeram-los esperar uma hora. Tem ar condicionado aqui. É bom que a gente não sua. Meu caminhão tinha ar também. Você viajou muito, Tobias? Quase o mundo todo. Tobias era vivido, se orgulhou do motorista que arranjara. Mandaram entrar os dois. A carteira tava ok. É 120 reais. Era dinheiro demais. Tem mais barato? Contaram a história. O atendente também se comoveu. 105 é o mínimo que podemos arranjar. Foi arranjado assim. Deram a partida no Ford K e saíram apressados. Não maltrata o bichinho não, Tobias, vai gastar. Tobias reduziu. Ligaram o som. Passa em frente ao prédio. Foi a primeira vez que Pedro se sentiu rei na vida. O pessoal saindo da obra olhando espantado. Teve orgulho do carro. meteu a cabeça pra fora e ensaiou um sorriso. É uma grande invenção o automóvel, Tobias.
Na chegada ao hospital encontraram Maria com a recém nascida na recepção. Era a menina mais linda do mundo. To te esperando tem uma hora, Pedro, onde você se meteu. Tenho uma surpresa, mulher. Que mané surpresa! Vem mulher, vem... os olhos de Maria se cobriram de água ao ver o veículo parado na porta. Não precisava, meu amor, não precisava. É como os granfinos, né? Sim, é como os granfinos. Maria beijou seu homem com a criança entre os braços. Queria que minha filha andasse de carro.
Entraram todos no banco de trás. Tobias ia como motorista. O automóvel deslizou anônimo pela noite e dentro dele passeava a felicidade.
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
domingo, 7 de setembro de 2008
inerte
há um momento onde não há pra onde ir.não pela desesperança, nem pela tristeza, mas pelo mar de possibilidades que se abre tão imenso, que se faz cegar.
É que há um momento onde tudo são caminhos. E que caminhos sei eu, quando todos os caminhos levam a algum lugar? perco a direção nessa hora, e me encontro parado, sem saber se são todos os caminhos verdadeiros ou não.
essa noite foi assim.
havia infinitas janelas para entrar, e de tão diferentes e belas, me fiz refém da sala onde me encontrava. triste ter que escolher entre muitos e não saber que rumo tomar. triste se ver parado, quando o destino se propõe tão vasto. triste do que escolhe pensando muito, pois não sabe que destino quer.
pensei em ler um livro... qual será? há um edifício de livros na minha mesa.
pensei em ver um filme, me deu preguiça.
estudar pra prova. é tarde! e por onde começar?
escrever à mão pra não perder o hábito...
nada me fazia querer deixar o resto. e assim fiquei, parado sem seguir um norte e sem encontrar a paz dos que sabem que missão seguir.
é a infelicidade dos livres que me corroí hoje. dos que podem querer o que bem entendem.
quisera eu, essa noite, e só essa noite, ter um destino divino traçado e ser obrigado a fazê-lo sem vontade, pois pelo menos, algo faria.
restou-me a possibilidade de escrever no blog renegado e assim o fiz. de volta à sina blogista.
até
É que há um momento onde tudo são caminhos. E que caminhos sei eu, quando todos os caminhos levam a algum lugar? perco a direção nessa hora, e me encontro parado, sem saber se são todos os caminhos verdadeiros ou não.
essa noite foi assim.
havia infinitas janelas para entrar, e de tão diferentes e belas, me fiz refém da sala onde me encontrava. triste ter que escolher entre muitos e não saber que rumo tomar. triste se ver parado, quando o destino se propõe tão vasto. triste do que escolhe pensando muito, pois não sabe que destino quer.
pensei em ler um livro... qual será? há um edifício de livros na minha mesa.
pensei em ver um filme, me deu preguiça.
estudar pra prova. é tarde! e por onde começar?
escrever à mão pra não perder o hábito...
nada me fazia querer deixar o resto. e assim fiquei, parado sem seguir um norte e sem encontrar a paz dos que sabem que missão seguir.
é a infelicidade dos livres que me corroí hoje. dos que podem querer o que bem entendem.
quisera eu, essa noite, e só essa noite, ter um destino divino traçado e ser obrigado a fazê-lo sem vontade, pois pelo menos, algo faria.
restou-me a possibilidade de escrever no blog renegado e assim o fiz. de volta à sina blogista.
até
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